A nova rota de comércio entre os portos brasileiro de Santana, no Amapá, e o chinês de Zhuhai, é hoje inaugurada com a chegada do primeiro navio.
Segundo o ministro brasileiro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, a nova rota vai diminuir os custos e o tempo de viagem dos produtos brasileiros até ao país asiático.
“Tenho uma boa notícia: no sábado, agora, chega o primeiro navio desta rota Zhuhai-Santana, no Amapá. Agora o Arco Norte tem mais esta alternativa de rota marítima”, anunciou Góes à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A nova rota ligará o Porto Santana das Docas à chamada Grande Baía (Guangdong‑HongKong‑Macau), onde fica, entre outros portos, o de Gaolan, em Zhuhai – um dos principais terminais da região e ponto estratégico para o fortalecimento do comércio entre os dois países.
De acordo com o ministro, esta rota foi vista pelos governos dos dois países com potencial para o escoamento de produtos da Amazónia e do Centro Oeste brasileiro.
“As vantagens são gigantes. Na comparação com o porto de Santos, a saída de produtos do Centro-Oeste por Santana ou pelo Arco Norte para a Europa diminui, por exemplo, o custo da soja em 14 dólares por tonelada. Se for para a China, a poupança é de 7,8 dólares por tonelada. Isto, sem falar além do tempo de viagem, que diminui”, acrescentou.
A vantagem, segundo Góes, vai acrescentar muito no trabalho, no lucro e na recompensa do produtor. Seja ele da Amazónia ou do centro-oeste brasileiro, além de organizar melhor a logística no país.
“Daí para a frente, vai da nossa capacidade. Da capacidade da Região Amazónica articular produtos de interesse para a China”, acrescentou.
O ministro salientou que a cooperação entre o Brasil e a China têm crescido muito, potenciando ainda mais esta rota, em particular para os produtos da bioeconomia da Amazónia, uma região que, segundo ele, tem muito para crescer economicamente.
“Vai demorar, mas a melhor estratégia para Amazónia é industrializar-se. É agregar valor, beneficiar os produtos da Amazónia para agregar valor, gerar emprego e rendimento. Isso para o açaí, o cacau, o café, a castanha, a madeira, o pescado, a piscicultura e demais atividades, como os fármacos. Temos um potencial grande nos fármacos porque a Amazónia só faz fornecer matéria-prima”, argumentou.
Com um mercado de 1,4 mil milhões de pessoas, a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
“Para ter uma ideia, o café, que já entra muito forte na China, tem um consumo per capita de um café por mês. Imagine se duplicarmos isso, e passar a ser de dois cafés por mês. Isto é válido para o café, para a soja e para o agro em geral. Têm muito interesse pelo mel, açaí, chocolate, cacau”, detalhou ao salientar que os produtos da biodiversidade têm uma abertura muito grande na China.