O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China afirmou que Pequim está disponível para “reforçar a coordenação com o Brasil” e “unir forças com os países dos BRICS para resistir ao unilateralismo e às práticas de intimidação”.
Segundo o porta-voz ministerial chinês, Lin Jian, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países, Wang Yi e Mauro Vieira, voltaram a falar por telefone na quinta-feira, a pedido do chefe da diplomacia brasileira.
“O ministro das Finanças chinês, Wang Yi, falou por telefone com o ministro das Finanças brasileiro, Mauro Vieira. No meio das complexas mudanças na atual conjuntura internacional, a China está disposta a reforçar a coordenação com o Brasil e a unir forças com os países dos BRICS para resistir ao unilateralismo e às práticas de intimidação”, afirmou Lin, sem referir diretamente os Estados Unidos, que impuseram a Brasília um forte aumento de tarifas.
O comunicado sobre a conversa, divulgado no site oficial do ministério chinês, diz que Wang Yi afirmou que “a relação China-Brasil está no seu melhor momento histórico”, elogia o país pelos seus esforços à frente dos BRICS.
No mesmo dia, o governo brasileiro anunciou que estava a iniciar o processo que pode levar à aplicação da Lei da Reciprocidade Económica contra os Estados Unidos devido ao aumento de tarifas sobre os produtos brasileiros.
Também esta quinta-feira, o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, relatou que a sua equipa ainda não conseguiu contactar a diplomacia dos Estados Unidos para renegociar as tarifas.
A 11 de agosto, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que o país quer atuar em conjunto com o Brasil para se tornar uma referência em unidade e autossuficiência entre as principais nações do Sul Global.
As declarações foram dadas numa conversa telefónica com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com a agência estatal chinesa Xinhua.
A chamada, feita a pedido de Lula e confirmada pelo Planalto, durou cerca de uma hora e tratou das relações bilaterais, da conjuntura geopolítica internacional e da defesa do multilateralismo.
Segundo um comunicado do governo, o Brasil e a China concordaram sobre o papel do G20 e dos BRICS na promoção desta agenda.
Ainda de acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, Xi declarou que as relações entre a China e o Brasil estão no seu melhor momento histórico, com avanços no alinhamento das estratégias de desenvolvimento e cooperação.
Acrescentou que Pequim apoia o povo brasileiro na defesa da sua soberania nacional e apelou a todos os países para se unirem contra o unilateralismo e o protecionismo.
O Planalto informou que os chefes de Estado discutiram ainda a parceria estratégica bilateral, saudaram os avanços nas sinergias entre os programas nacionais de desenvolvimento e comprometeram-se a alargar a cooperação em setores como a saúde, o petróleo e o gás, a economia digital e os satélites.